MATERIAL DIDÁTICO SOBRE PLANTAS MEDICINAIS

MATERIAL DIDÁTICO SOBRE PLANTAS MEDICINAIS

1. Introdução

As plantas são utilizadas como medicamentos desde que no mundo existe o homem e com ele as doenças. Nos achados da civilização egípcia é comum observar-se desenhos nos quais uma pessoa oferece a outra uma “beberagem”, sabemos dos índios que também utilizavam as plantas para salvar o seu povo, e assim por diante. Até mesmo a medicina no seu início fazia uso das plantas para curar as doenças, mas com o avanço tecnológico e científico, esse conhecimento se tornou esquecido.

Com a busca incessante da cura as diversas doenças que o homem tem desenvolvido, e com o retorno as origens, a terapêutica hoje possui duas formas ou sistemas de tratamento: a Alopatia que representa a cura pelo oposto, onde se utilizam os medicamentos que adquirimos nas farmácias e drogarias e que são o produto de experiências em animais de laboratório; e a homeopatia que representa a cura pelo semelhante, isto é, onde se utiliza doses infinitamente pequenas de substâncias que são capazes de gerar, em indivíduos sadios, os mesmos sinais e sintomas apresentados pela doença que se deseja tratar. Uma terceira forma de terapia ainda muito pouco utilizada é a fitoterapia ou a terapia pelo uso das plantas, ou seja a cura pelas plantas. Esta é apenas utilizada como um conhecimento popular e cultural, estando associada principalmente com a automedicação ( processo em que se utiliza substâncias para curar ou amenizar uma doença sem conhecimento ou orientação médica).

Assim muito se perde do potencial das plantas, pois conhecimentos são passados de pais para filhos e muitas vezes caem no esquecimento com a utilização de outras terapias para tratamento. Além do que uma planta pode ser identificada por até 200 nomes diferentes ou seja por até 200 sinônimos e inclusive plantas diferentes serem conhecidas pelo mesmo nome apesar de não terem as mesmas propriedades.

Por todos estes fatores e pelo interesse de se viver melhor este trabalho pretende esclarecer o uso de algumas plantas, com suas características para que não haja erro no emprego e na planta utilizada.

2. Formas de uso

2.1. Chás

2.1.1. Por decocção: colocar as ervas secas ou frescas com água em um recipiente adequado. Levar ao fogo brando até levantar fervura. Deixar ferver por 3 a 30 minutos de acordo com a parte da erva que se está utilizando para o chá. Deixar em repouso por alguns minutos, coar e  tomar. Este processo é principalmente indicado para raízes, caules e sementes.

 

2.1.2. Por infusão: levar a água ao fogo até que comece a ferver. Em recipiente adequado despejar a água fervente sobre a erva. Tapar o recipiente e manter em repouso por 5 a 10 minutos. Coar e tomar. Este processo é principalmente indicado para as folhas e flores ( partes nobres das plantas).

2.1.3. Por maceração: colocar a erva em um recipiente e deixar de molho de 10 a 24 horas a temperatura ambiente de acordo com a parte da planta utilizada, quanto mais duro o material utilizado, maior deve ser o tempo de molho. Em seguida aquecer tudo levemente, coar e tomar. Este processo é indicado principalmente para plantas ricas em óleos essenciais. Neste processo também se aproveitam as vitaminas e sais minerais presentes em certas plantas.

2.1.4. Por tisana: levar a água ao fogo até ferver, então adicionar a erva, tampar a panela, deixar ferver por mais 3 a 5 minutos. Retirar do fogo, deixar em repouso por alguns minutos, coar e tomar. Este processo é indicado para alguns tipos de folhas, flores, raízes, caules, sementes e frutos.

2.1.5. observações:

2.1.5.1. Para o preparo dos chás, recomenda-se o uso de recipientes esmaltados, inoxidáveis, de vidro, de barro ou de louça, de preferência nunca utilizar recipientes de alumínio, cobre, estanho ou ferro, porque podem soltar resíduos.

2.1.5.2. Normalmente se utiliza de 1 a 2 colheres das de chá de erva seca ou fresca, para cada xícara de chá de água, quando se vai ingerir. No caso do chá ser utilizado para compressas, gargarejo ou inalação, deve ser feito com uma quantidade maior de ervas.

2.1.5.3. Medidas auxiliares para o preparo de chás e outros:

colher de café contém ~   4 gramas de raízes moídas

colher de café contém ~   2 gramas de folhas frescas picadas

colher de sopa contém ~ 10 gramas de raízes moídas

colher de sopa contém ~  5 gramas  de folhas frescas picadas

um punhado de folhas secas  ~ 35 gramas

uma xícara de chá equivale a 200 ml

2.1.5.4. Todo chá utilizado como medicação deve ser tomado sem ter sido adoçado. Quando isso não é possível  deve-se utilizar mel, melado, ou outro tipo de açúcar natural.

2.1.5.5. A quantidade a ser preparada deverá ser igual a que será ingerida no momento, podendo ser feito no máximo a quantidade a ser ingerida no dia. Recomenda-se de maneira geral a ingestão de 3 a 5 xícaras de chá por dia, não  devendo prolongar o uso por mais de 15 dias consecutivos.

2.1.5.6. Os chás não devem ser tomados junto as refeições a não ser que sejam auxiliares da digestão.

2.2. Sumos: mistura-se as folhas frescas a uma pequena quantidade de água, e macera-se com um instrumento de madeira, se possível, até que forme uma pasta bem homogênea. Coloca-se em um pano, de preferência algodão e espreme-se o pano para que saia o líquido obtido ou o sumo.

2.3. Cataplasmas

2.3.1. Erva fresca ao natural: coloca-se a folha ou o sumo extraído dela diretamente sobre o local batido, ferido ou inchado.

2.3.2. Erva seca em saquinhos: umedece-se com água fria ou quente de acordo com a necessidade e coloca-se sobre o local como por exemplo os olhos.

2.3.3. Ervas em forma de pasta: amassa-se a erva com um pouco de água ou álcool até que forme uma pasta. Aplica-se a pasta direto sobre o local.

2.3.4. observação:

2.3.4.1. Para o preparo de cataplasmas deve-se utilizar material de vidro, porcelana ou madeira para que não haja a deterioração da erva.

2.3.4.2. Não se deve aplicar cataplasmas sobre locais esfolados ou sobre cortes a não ser que sejam ervas cicatrizantes.

2.3.4.3. Deve-se sempre fazer um curativo ou enfaixar o local para que o cataplasma não sai do mesmo. Em alguns casos, o fato de se manter aquecido o cataplasma facilita a sua ação sobre o local.

2.3.4.4. De um maneira geral deve-se manter o cataplasma no local por 20 a 30 minutos. Em alguns casos pode-se utilizar vários cataplasmas, um seguido do outro até obter o resultado desejado; em outros um mesmo cataplasma pode ficar até 8 a 12 horas sobre o local. Tudo é uma questão da necessidade, da erva utilizada e do tipo de cataplasma feito.

2.4. Tinturas: mistura-se de 100 a 300 gramas da erva seca ou fresca com um litro de álcool, se possível álcool  de cereais principalmente para as tinturas que serão ingeridas, podendo-se também utilizar a pinga. Deixa-se em repouso em local protegido da luz, por no mínimo 15 dias, a partir desta data pode-se filtrar no caso de ser para ingerir. Se for utilizada para compressas não há necessidade de se filtrar. Quanto mais tempo a erva fica em contato com o álcool, mais forte a tintura se torna.

2.5. Xaropes: podem ser feitos a base de mel ou açúcar. Xarope de mel: adicionar uma parte de mel, de preferência de boa procedência, a uma parte do sumo ou chá forte da erva. Xarope de açúcar: fazer uma calda misturando 1 (uma) xícara de água e 2 (duas) xícaras de açúcar, levar ao fogo até dissolver todo  o açúcar sem deixar ferver. Se for utilizar um chá forte da erva, fazer a calda direto com 1 (uma) xícara do chá. Se for utilizar o sumo da erva: fazer a calda, deixar esfriar e então adicionar o sumo à calda. A quantidade de sumo em relação a quantidade de calda vai variar, de modo que se deve adicionar o sumo lentamente a calda, misturar bem e experimentar. O sabor deve permanecer o da calda (doce).

 

2.6. Ungüento: mistura-se o sumo da erva fresca, ou um chá forte da erva com gordura vegetal, leva-se para o fogo em banho-maria até que fique uma mistura homogênea. Deixe esfriar e guarde em um pote plástico ou de vidro. Se possível utilizar material de vidro ou porcelana para fazer o ungüento.

2.7. Pomadas: utiliza-se o mesmo procedimento do ungüento, depois de esfriar adiciona-se um pouco de maisena. Mistura-se bem e guarda-se.

2.8. Azeites: coloca-se as folhas frescas da planta em um recipiente de preferência vidro escuro, adiciona-se o azeite, quanto mais puro melhor, deixa-se em repouso por no mínimo 30 dias, protegido da luz. Filtra-se e guarda-se novamente em frasco escuro. É indicado para plantas que apresentam grande quantidade de óleo essencial ou óleo essencial de grande importância.

2.9. Compressas: utiliza-se o chá ou a tintura da erva para umedecer um pano, algodão ou gaze e coloca-se sobre o local. Esta poderá ser feita por alguns minutos ou horas de acordo com a necessidade e a erva utilizada. Nos casos de haver esfalfamento ou cortes só é indicado o uso de compressas se forem de ervas com ação cicatrizante. As compressas são muito indicadas paras as contusões e inflamações e quando não se obtêm a planta fresca.

2.10. Gargarejo e bochechos: fazer o chá  da erva e gargarejar ou bochechar no mínimo 3 vezes ao dia.

2.11. Inalações: colocar a água para ferver, quando estiver fervendo adicionar sobre a erva e inalar o vapor, aspirando e expirando lentamente por cerca de 15 minutos. A proporção deve ser de 1 colher de chá para cada ½ (meio) litro de água. Pode-se também colocar a erva sobre a água fervente e a vasilha permanecer no fogo para manter a produção de vapor. O uso de uma toalha sobre os ombros cobrindo a cabeça  aumenta a eficácia da inalação.

2.12. Banhos: podem ser de todo o corpo ou parcial, utilizando-se de um chá da erva indicada para tal tratamento. Sua principal função é refrescar e eliminar substâncias presentes na pele, assim como irritações e coceira.

Muitas plantas podem ainda ser utilizadas na forma de suco e saladas. Nesses casos além de uma ação medicinal existe um efeito nutricional. Podemos citar a hortelã, o confrei, o agrião que ingeridos em salada fornecem ao organismo sais minerais e vitaminas. No suco de laranja podemos adicionar a hortelã, o agrião, entre outros, aproveitando assim seus compostos nutricionais.

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