Terapia dos Sonhos

Breve Histórico da Terapia dos Sonhos

Ao longo de sua história, a humanidade tenta entender o significado dos sonhos. Dada a sua natureza intrigante e enigmática, diversas culturas antigas e mesmo muitas atuais, interpretam os sonhos como inspirações, sinais divinos, visões proféticas, fantasias sexuais.

Hoje sabemos que os sonhos são entendidos como parte do ciclo do sono determinado biologicamente e diversas abordagens explicativas têm sido descritas, baseadas em achados neurofisiológicos, comportamentais e em resultado de diferentes ferramentas psicoterapéuticas.

Na década dos 50, a descoberta de que os movimentos rápidos dos olhos quando o indivíduo está dormindo (o chamado sono REM, ou Rapid Eyes Movement sleep), forneceram um sério indicativo de que o indivíduo estava sonhando e que esse período ,mentalmente ativo, ocorria , várias vezes durante a noite. Duraante o sono REM o indivíduo parece estar mais acordado do que sonolento e o corpo, (exceto os músculos dos olhos), está imobilizado. A atividade cerebral durante o sonho começa na ponte, uma estrutura no tronco encefálico e regiões mesencefálicas circundantes. A ponte envia sinais ao tálamo e ao córtex cerebral, o qual é responsável pela maioria dos processos do pensamento. Ela também envia sinais à medula espinhal para “desligar” neurônios motores ali localizados, causando uma paralisia temporária que previne o movimento.

Dado o seu conteúdo bizarro, fora dos parâmetros comuns de percepção, os sonhos são especulados por alguns estudiosos do sono e sonhos como sendo um meio pelo qual o cérebro se livra de informações desnecessárias ou erradas, um processo de aprendizagem reversa (ou descondicionamento)

A primeira teoria psicológica sobre os sonhos deve-se a Sigmund Freud (1900) que defendia a idéia de que os sonhos refletiam a experiência inconsciente. Ele teorizou que o pensamento durante o sono tende a ser regressivo e que os efeitos do mecanismo repressivo é reduzido. Os desejos reprimidos, segundo o Freud, particularmente aqueles associados ao sexo e à hostilidade, eram liberados nos sonhos quando a atividade consciente era diminuída. Freud propôs uma técnica interpretativa de trabalho com os sonhos, afim de trazer ao consciente o material reprimido e que poderia ser desenvolvida em concomitância com o processo psicanalítico. A interpretação era tarefa exclusiva do analista, cabendo-lhe atribuir um significado ao material onírico de acordo com a teoria e o processo psicanalíticos.

Um salto qualitativo na abordagem dos sonhos foi dado por Yung que apresenta uma abordagem mais ampla do ser humano. O foco do trabalho de Yung era a individuação do ser humano, isto é a criação do indivíduo, aquele que não pode ser divisível, fragmentado aquele que é inteiro. Os sonhos refletiam não só material reprimido do Inconsciente individual mas símbolos e arquétipos do Inconsciente coletivo em direção a esse processo de individuação. O trabalho com os sonhos, mais do que um trabalho interpretativo do analista , era um trabalho que o sonhador deveria empreender: voltar a vivenciar o sonho e resignificá-lo.

As teorias psicológicas que preconizam o desenvolvimento psicológico como um processo de evolução da Consciência apresentam o sonhos como apenas um dos seus estados específicos, uma forma da consciência operar, fora dos limites cartesianos, numa outra dimensão espacio-temporal e estrutura de causalidade. Pesquisas sobre os sonhos como um estado de consciência específico têm sido empreendidas nos últimos trinta anos em vários laboratórios nos EUA e Europa.

Texto elaborado por Maria Irene Pires dos Reis Ferreira

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